Paulo Duarte

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Estão todos mais felizes? Não, é só você.

Um artigo do Cognitive Daily, How sad are these faces? Depends on how sad you are (Quão tristes são estas faces? Depende do quão triste você está), explica um estudo [1] em que pessoas são solicitadas a classificar diversas expressões faciais em figuras, havendo sido previamente expostas a músicas “alegres” ou “tristes”. O resultado indicou que o estímulo das musicas e provavelmente o humor subsequente a esta, influenciou nas escolhas das faces “neutras” ou “ambíguas” para penderem em uma ou outra direção.

Este é mais experimento que joga luz na questão de porque alguns clichês de auto-ajuda funcionam. Um dos recentes sucessos desta área, O Segredo, reforça a idéia de que uma atitude positiva teria influência no ambiente. Por exemplo, se você mentalizar adequadamente, seus colegas de trabalho serão mais simpáticos com você, menciona um exemplos do filme. Não é difícil imaginar que, se pudermos extrapolar o experimento de laboratório para o ambiente real de trabalho, que as faces neutras dos colegas de trabalho, antes interpretadas negativamente, podem ser vistas como alegres por alguém que mudou sua disposição inicial.

Que nossas perspectivas pessoais, preconceitos e expectativas filtram e interpretam as informações que coletamos do ambiente não é novidade e é um conhecimento relativamente difundido. No entanto, continuamos sendo muito ruins no que se refere a identificar estas influências no nosso julgamento da realidade.

Que implicações práticas isto tem? A primeira delas é que de fato, o mundo poderá lhe parecer um lugar povoado por pessoas (um pouco) mais simpáticas se sua atitude emocional se alinhar a esta expectativa. Outra, mais importante, está em compreender que sempre utilizamos destes filtros emocionais nas interações humanas e que é prudente dar uma margem de segurança sobre nossas impressões da realidade ao redor e das motivações alheias.

[1] Bouhuys, A.L., Bloem, G.M., & Groothuis, T.G.G. (1995). Induction of depressed and elated mood by music influences the perception of facial emotional expressions in healthy subjects. Journal of Affective Disorders, 33, 215-226.

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