Vida pública, Opiniões privadas
É curioso que algo tão associado conosco, que é a opinião que os outros têm sobre nós, seja tão pouco sujeita ao nosso controle. Muitas vezes o que as pessoas pensam sobre nós têm pouco a ver com o que fazemos ou nos identificamos (pretendo escrever no Paulo Duarte sobre pesquisas que mostram que todos somos péssimos psicólogos, quando a questão é supor as verdadeiras motivações dos comportamentos dos outros). Natural querer uma boa imagem sobre nós, mas esta imagem, melhor ou pior, mais precisa ou desfocada, no que se refere a parte que podemos controlar, depende da qualidade de informações que expomos e filtramos sobre sobre nós.
E escrever é expor-se. Mesmo que o texto não seja uma nota autobiográfica, revela algo de nós. Por esse motivo nunca tive um blog secreto, pois acho isso um contra-senso que, embora tentador, não iria conseguir levar a cabo por muito tempo. Acho curioso essa atitude, tal como uma pessoa que coloca o diário na mesa da sala ou outro lugar acessível, com a esperança de que seja roubado ou furtivamente lido, num sinal de interesse dos outros por sondar-nos a intimidade. Mesmo meus textos mais pessoais sempre foram realizados com consciência do possível seu alcance ao se tornarem públicos: me lembro que a primeiras versões do blog eu dedicava boa parte de minhas considerações a exemplos pessoais, pois acredito que isso legitimava certos argumentos e percebia que a parte dos leitores que me conhece pessoalmente, acreditava estar vendo algum tipo de revelação, um segredo, algo que não está exposto.
É curioso que esta geração mais nova, de jovens com blogs, fotologs, perfis em redes sociais, tem uma compreensão distinta do tema que assusta os mais velhos pelo excesso de exposição, mas que traz consigo um fato melancólico oposto ao esperado: os big brothers particulares não adiantam, não revelam. Por mais expostos, por mais que estejam transmitindo suas vidas em streaming ainda há lacunas, na comunicação e na possibilidade de conhecer o outro e sua subjetividade. Os adolescentes vivem seus milhares de personagens on-lines, que nada mais são que possibilidades legítimas e não menos fabricados que sua(s) personalidade(s) cotidiana(s), estão bem menos preocupados com o resultado de sua exposição pois sabem, como os escritores que já escreveram bastante, que nunca se está complemente nú diante do outro.
O maior problema da exposição, ou da expressão, pública é que ela não costuma ser feita em duas vias. Pouco sabemos sobre aqueles para os quais nos expressamos publicamente e principalmente o que pensam sobre nós. Aliás, dentre as coisas mais intimamente guardadas estão justamente as opiniões sobre os outros, que podem ser até amplamente divulgadas para todos com exceção de seus maiores interessados, os objetos da opinião. Mas nisso o blog ganha uma vantagem sobre outros meios antigos, que é o espaço para comentários dos leitores onde feedbacks chegam muitas as vezes protegidos pelo anonimato. Talvez isso ajude a explicar o sucesso e popularidade dos blogs.
É curioso que algo tão associado conosco, que é a opinião que os outros têm sobre nós, seja tão pouco sujeita ao nosso controle. Muitas vezes o que as pessoas pensam sobre nós têm pouco a ver com o que fazemos ou nos identificamos (pretendo escrever no Paulo Duarte sobre pesquisas que mostram que todos somos péssimos psicólogos, quando a questão é supor as verdadeiras motivações dos comportamentos dos outros). Natural querer uma boa imagem sobre nós, mas esta imagem, melhor ou pior, mais precisa ou desfocada, no que se refere a parte que podemos controlar, depende da qualidade de informações que expomos e filtramos sobre sobre nós.
E escrever é expor-se. Mesmo que o texto não seja uma nota autobiográfica, revela algo de nós. Por esse motivo nunca tive um blog secreto, pois acho isso um contra-senso que, embora tentador, não iria conseguir levar a cabo por muito tempo. Acho curioso essa atitude, tal como uma pessoa que coloca o diário na mesa da sala ou outro lugar acessível, com a esperança de que seja roubado ou furtivamente lido, num sinal de interesse dos outros por sondar-nos a intimidade. Mesmo meus textos mais pessoais sempre foram realizados com consciência do possível seu alcance ao se tornarem públicos: me lembro que a primeiras versões do blog eu dedicava boa parte de minhas considerações a exemplos pessoais, pois acredito que isso legitimava certos argumentos e percebia que a parte dos leitores que me conhece pessoalmente, acreditava estar vendo algum tipo de revelação, um segredo, algo que não está exposto.
É curioso que esta geração mais nova, de jovens com blogs, fotologs, perfis em redes sociais, tem uma compreensão distinta do tema que assusta os mais velhos pelo excesso de exposição, mas que traz consigo um fato melancólico oposto ao esperado: os big brothers particulares não adiantam, não revelam. Por mais expostos, por mais que estejam transmitindo suas vidas em streaming ainda há lacunas, na comunicação e na possibilidade de conhecer o outro e sua subjetividade. Os adolescentes vivem seus milhares de personagens on-lines, que nada mais são que possibilidades legítimas e não menos fabricados que sua(s) personalidade(s) cotidiana(s), estão bem menos preocupados com o resultado de sua exposição pois sabem, como os escritores que já escreveram bastante, que nunca se está complemente nú diante do outro.
O maior problema da exposição, ou da expressão, pública é que ela não costuma ser feita em duas vias. Pouco sabemos sobre aqueles para os quais nos expressamos publicamente e principalmente o que pensam sobre nós. Aliás, dentre as coisas mais intimamente guardadas estão justamente as opiniões sobre os outros, que podem ser até amplamente divulgadas para todos com exceção de seus maiores interessados, os objetos da opinião. Mas nisso o blog ganha uma vantagem sobre outros meios antigos, que é o espaço para comentários dos leitores onde feedbacks chegam muitas as vezes protegidos pelo anonimato. Talvez isso ajude a explicar o sucesso e popularidade dos blogs.
É curioso que algo tão associado conosco, que é a opinião que os outros têm sobre nós, seja tão pouco sujeita ao nosso controle. Muitas vezes o que as pessoas pensam sobre nós têm pouco a ver com o que fazemos ou nos identificamos (pretendo escrever no Paulo Duarte sobre pesquisas que mostram que todos somos péssimos psicólogos, quando a questão é supor as verdadeiras motivações dos comportamentos dos outros). Natural querer uma boa imagem sobre nós, mas esta imagem, melhor ou pior, mais precisa ou desfocada, no que se refere a parte que podemos controlar, depende da qualidade de informações que expomos e filtramos sobre sobre nós.
E escrever é expor-se. Mesmo que o texto não seja uma nota autobiográfica, revela algo de nós. Por esse motivo nunca tive um blog secreto, pois acho isso um contra-senso que, embora tentador, não iria conseguir levar a cabo por muito tempo. Acho curioso essa atitude, tal como uma pessoa que coloca o diário na mesa da sala ou outro lugar acessível, com a esperança de que seja roubado ou furtivamente lido, num sinal de interesse dos outros por sondar-nos a intimidade. Mesmo meus textos mais pessoais sempre foram realizados com consciência do possível seu alcance ao se tornarem públicos: me lembro que a primeiras versões do blog eu dedicava boa parte de minhas considerações a exemplos pessoais, pois acredito que isso legitimava certos argumentos e percebia que a parte dos leitores que me conhece pessoalmente, acreditava estar vendo algum tipo de revelação, um segredo, algo que não está exposto.
É curioso que esta geração mais nova, de jovens com blogs, fotologs, perfis em redes sociais, tem uma compreensão distinta do tema que assusta os mais velhos pelo excesso de exposição, mas que traz consigo um fato melancólico oposto ao esperado: os big brothers particulares não adiantam, não revelam. Por mais expostos, por mais que estejam transmitindo suas vidas em streaming ainda há lacunas, na comunicação e na possibilidade de conhecer o outro e sua subjetividade. Os adolescentes vivem seus milhares de personagens on-lines, que nada mais são que possibilidades legítimas e não menos fabricados que sua(s) personalidade(s) cotidiana(s), estão bem menos preocupados com o resultado de sua exposição pois sabem, como os escritores que já escreveram bastante, que nunca se está complemente nú diante do outro.
O maior problema da exposição, ou da expressão, pública é que ela não costuma ser feita em duas vias. Pouco sabemos sobre aqueles para os quais nos expressamos publicamente e principalmente o que pensam sobre nós. Aliás, dentre as coisas mais intimamente guardadas estão justamente as opiniões sobre os outros, que podem ser até amplamente divulgadas para todos com exceção de seus maiores interessados, os objetos da opinião. Mas nisso o blog ganha uma vantagem sobre outros meios antigos, que é o espaço para comentários dos leitores onde feedbacks chegam muitas as vezes protegidos pelo anonimato. Talvez isso ajude a explicar o sucesso e popularidade dos blogs.

março 11th, 2008 at 6:31 pm
Acho que ainda não me sinto a vontade de me expor. um dia ainda crio meu blog.
março 11th, 2008 at 6:34 pm
Adorei o texto, tenho uma impressão parecida. Depois que entrei para o grupo de teatro, vejo isso claramente.
março 12th, 2008 at 9:58 am
Joana Marques »
Espero que crie sim, é uma experiência enriquecedora.
março 12th, 2008 at 9:58 am
Antônio Carlos »
Obrigado!
abril 14th, 2008 at 10:27 pm
Acredito na necessidade de se mostrar hiperconectado ou disponível a isso. Um grande manual de funcionamento pessoal, com descrições de plugs.
Sobre os comentários… é bem por ai… mesmo que apenas pela possibilidade.
*Apenas um rascunho de idéia… incompletos.