
Veja bem estas duas figuras acima, para qual delas você daria o nome de kiki e qual chamaria de Bouba?
Se você respondeu que a figura em verde é kiki e a laranja é bouba, você esta em concordância com cerca de 98% da humanidade. Por que existe esta tendência na escolha dos nomes, ao invés de uma divisão de aproximadamente 50% para cada escolha? Bom isso tudo têm a ver como nosso cérebro processa os sentidos e a natureza da linguagem.
Esse experimento clássico, conhecido como “Efeito bouba-kiki” foi descoberto nos anos 60, por Wolfgang Kohler, um dos fundadores da escola Gestalt de psicologia. Existem bons motivos para nosso cérebro correlacionar aquilo que percebeu através do sentido da visão com aspectos dos movimentos da boca, de acordo com a sonoridade das palavras que você leu aqui para escolher o nome (kiki provoca rápidas flexões enquanto bouba, movimentos suaves e circulares).
É possível que giro angular, localizado no cruzamento dos centros responsáveis pela audição, visão e tato tenha um papel importante nisso. Pessoas com lesão nessa área tem menos chances de responder ao teste kiki-bouba com a resposta da maioria. O fato é que as áreas do cérebro relacionadas com a percepção dos sentidos interagem com áreas motoras específicas na parte frontal do cérebro que participam do ato da fala.
Existem muitos aspectos ainda por serem descobertos da construção da linguagem e da relação com outros aspectos de nossas capacidades cognitivas. Mas é interessante pensar que esse processo se dá de uma forma bem poética (não é a toa que sinestesia é uma palavra aplicada tanto a uma figura de linguagem, na literatura, quanto a uma propriedade cerebral, quando o cérebro mistura os sentidos).
É difícil entender a sinestesia do cérebro justamente porque ela soa como metáfora, quando não é. Por exemplo, enquanto alguém sem sinestesia imagina um livro quando ouve a palavra “livro”, uma outra com sinestesia pode ouvir esta palavra e ver a cor azul ou sentir um sabor adocicado. E não, não estamos falando de figuras de linguagem!
Ao que parece, essa influência dos sentidos entre si tem importante papel na linguagem e em seus aspectos mais lúdicos e curiosos. Mas seu cérebro não precisa de uma sinestesia para você experimentar as diversas combinações de cores, sons, sabores, odores, movimentos e pensamentos, pois, em algum lugar nesta festa de neurônios está sua criatividade. Estimule-a!
PS. Artigo colaborando com a blogagem inédita do InterNey.
Tags: audição, cérebro, gestalt, percepção, sentidos, sinestesia, tato, teste, visão
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