Auto-ajuda para céticos e impacientes

A psicologia comportamental usa a terminologia fuga e esquiva para se referir a determinada serie de comportamentos que envolvem abandono ou evitamento de uma situação aversiva. Esses conceitos que são compartilhados pela biologia quando se refere as reações instintivas de luta e fuga, em que animais reagem a situação de ameaça lutando ou fugindo.

Fuga

É fácil prever que ao se deparar com um leão, uma zebra irá muito provavelmente fugir. Outros animais, talvez dois leões, enfrentem-se. No comportamento humano essa previsão é mais complexa, principalmente porque enfrentamos diversas situações de medo e ansiedade que não são tão radicais e fatais quanto na selva.

Em particular a esquiva, que nos permite antecipadamente evitar uma situação de confronto e ansiedade. Um exemplo simples de esquiva e tomar-se um caminho mais longo para evitar passar por uma pessoa. Se muitas vezes isso é feito de forma clara e consciente outras nem tanto. E aí muitas vezes pode residir um problema.

Um comportamento de esquiva que costumamos usar facilmente para evitar enfrentar um problema particularmente difícil ou trabalhoso é inversão das prioridades. O problema X é urgente, no entanto é cansativo ou uma tarefa nova a qual não se domina plenamente, o que promove ansiedade e estresse ao executá-la. Ora, uma pessoa pode simplesmente adiá-la (esquiva), dizer que não está se sentindo bem e que precisa ir para casa (fuga). Mas estas formas são fáceis de identificar que estamos evitando algo. Que tal se você considerasse fazer primeiro as tarefas A, B, C, D… ? É fácil nos depararmos com dias em que trabalhamos arduamente mas não demos conta de algo que era essencial, no entanto fizemos até o trabalho que era para muitos dias a frente.

É difícil nos apercebermos de uma série de comportamentos de esquiva que realizamos: o dentista para o qual nunca encontramos um horário disponível em nossa agenda mas estamos convencidos de que é por falta de tempo, aquela conversa séria com o(a) companheiro(a) que nunca encontra o momento ideal, o pedido de aumento que sempre espera o mês seguinte. Para identificar esses padrões, existem dois aspectos que devem ser analisados: o primeiro é identificar uma situação de fuga ou esquiva, ser capaz de reconhecê-la e a segunda é identificar os padrões usados para evitar as situações que nos desagradam, pois temos a tendência a repetir os mesmos comportamentos (ou seja, usamos as mesmas desculpas para evitar problemas diferentes). Conhecer nossas “desculpas” mais freqüentes faz com que seja mais fácil identificar quanto estamos evitando algo que, por mais que seja motivo de temor e ansiedade, é preciso realizar.

O assunto é muito vasto e pretendo retornar a ele em breve, com mais detalhes e alguns tipos de soluções usadas.

Tags: comportamento, enfrentamento, esquiva, fuga, medo

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3 comentários até agora »

  1. por Fuga e esquiva: o corajoso fujão » Paulo Duarte, em março 5 2008 @ 9:41

    [...] e esquiva: o corajoso fujão Como mencionei no artigo anterior (Fuga e Esquiva: identificando comportamentos), algumas é difícil perceber comportamentos de esquiva. Sim, muitas vezes encontramos [...]

  2. por Carlos, em agosto 19 2008 @ 11:58

    Gostei deste e do outro artigo sobre comportamento de fuga e esquiva. Muito bons!

    Gostaria de mais artigos nessa área.

    Paulo Duarte Resposta:

    Valeu Carlos!

    Pode aguardar que pretendo tratar mais sobre alguns destes tópicos.

    Abraço.

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