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Fuga e esquiva: o corajoso fujão

Como mencionei no artigo anterior (Fuga e Esquiva: identificando comportamentos), algumas é difícil perceber comportamentos de esquiva. Sim, muitas vezes encontramos explicações bastante racionais para os motivos dos quais evitamos situações que provocam ansiedade ou medo. Isso acontece até mesmo se pensarmos no fóbico clássico, por exemplo, com claustrofobia que justifica não ficar num lugar fechado por causa da temperatura.

Mas eu mencionava uma esquiva, que denominei de “inversão de prioridades” que agora vou explicar e ampliar este meu conceito. A idéia é simples: alguém tem uma tarefa de importante, no entanto altamente ansiogênica (provoca-lhe medo, insegurança, etc.). Esta pessoa possui outros compromissos menos importantes a serem realizadas durante o dia. O que acontece? A tarefa a ser esquivada cai para última posição da lista, sendo feita apenas quando (e se) forem realizadas todas as outras.

Obviamente nesse cenário vemos que cada novo compromisso é colocado como um escudo para evitar a tarefa-problema. No entanto como a ansiedade é um fator chave para os comportamentos de esquiva, a medida que as outras tarefas vão sendo realizadas a ansiedade tende a aumentar, já que se aproxima a hora do enfrentamento. O que pode acontecer é que toda a lista de tarefas se torna fonte de ansiedade, característica chamada pelos psicólogos comportamentalistas de generalização dos estímulos *.

Muitas vezes outros compromissos são inseridos (por exemplo, ajudar alguém com outra coisa) para evitar chegar ao fim da lista. Não é difícil então ouvir a pessoa reclamar que não consegue terminar suas atividades, por que sempre esta fazendo outras coisas. E com certo conforto afirmar que deseja enfrentar aquele desafio que no entanto está inatingível por uma muralha de atividades que ele mesmo colocou.

* Generalização de estímulos:  “Na generalização de estímulos, um estímulo adquire controle sobre uma resposta devido ao reforço na presença de um estímulo similar, porém diferente.  Freqüentemente, a generalização depende de elementos comuns a dois ou mais estímulos.  É o caso de uma criança aprendendo sobre animais, chamar todo animal que mama de “mamífero”, independente da espécie… se mama… será mamífero, embora estímulos diferentes, há a generalização para classe ‘mamíferos’” Fonte: Rede Psi

Tags: ansiedade, comportamento, esquiva, fobia, fuga, medo

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